Compaixão

A obra de Toni Morrison é toda debruçada sobre a condição do negro nos Estados Unidos e, sobretudo, da mulher negra americana. Em Amada, ela visitou o terror permanente da vida na escravatura. Agora, em Compaixão, recua mais na história e vai à origem, a 1690, quando a própria nação norte-americana estava nascendo, cem anos antes da Declaração de Independência. Morrison nos faz lembrar que o começo do regime escravagista se confunde com esse início da nação, os dois cresceram juntos. A autora vê, nesse alvorecer do país, a possibilidade de uma escravatura sem racismo, que junta brancos, negros e indígenas numa mesma árdua luta pela sobrevivência na natureza inóspita do nordeste americano.
Compaixão é a história de Florens, que a própria mãe entrega como pagamento da dívida de seu senhor, na esperança de que possa ter uma vida melhor numa fazenda remota, ao lado de três outras mulheres – Rebekka, a senhora branca; Lina, uma escrava indígena; e Sorrow, outra escrava negra – e do tolerante senhor anglo-holandês Jacob Vaark.
Em meio às asperezas da vida rural desse período, ameaçada pela varíola, numa terra sem lei, dividida entre o puritanismo religioso das seitas protestantes dos brancos e a tolerância e liberdade do indígena e do negro, Florens descobre o amor e o sexo. Luta com a natureza do nordeste da América do Norte e com sua própria natureza, ambas bravias, uma fria, a outra ardente. Sempre em busca de um amor perdido: o de sua mãe e o de sua pátria.

Livro de Toni Morrison

Editora: Cia das Letras

R$

Published in: on fevereiro 26, 2010 at 6:53 pm  Deixe um comentário  

Jazz

Em 1926, o Harlem, bairro negro de Nova York, é povoado sobretudo por gente que veio do campo em busca das promessas da cidade cintilante. O cinquentão Joe Trace, vendedor itinerante de produtos de beleza, mata com um tiro sua amante adolescente. No funeral, a cabeleireira Violet, mulher de Joe, ataca o corpo da rival com uma faca. Uma tragédia pessoal que é um prenúncio dos tempos duros que virão na década seguinte. Uma apaixonada história de amor e obsessão que avança e recua no tempo, reunindo emoções, esperanças, temores e as duras realidades da vida negra nas cidades dos Estados Unidos da primeira metade do século XX.
Lançado originalmente em 1992, Jazz é um romance sem precedentes, um marco no panorama literário dos Estados Unidos, que consagra Toni Morrison como uma das maiores escritoras da atualidade.

Livro Toni Morrison

Editora Cia das Letras

R$ 21,00

Published in: on fevereiro 26, 2010 at 6:47 pm  Deixe um comentário  

Barroco Tropical

Estreia de um dos mais aclamados escritores de língua portuguesa da atualidade na Companhia das Letras, Barroco tropical é um livro ambicioso, de grande fôlego e densidade. A ação se passa em Luanda no ano de 2020 e é narrada alternadamente pelo escritor Bartolomeu Falcato e pela cantora Kianda, sua amante. Os dois testemunham juntos um fato insólito, a queda de uma mulher – literalmente – do céu. A mulher em questão é uma modelo e ex-miss que frequentou a cama de políticos e empresários de expressão, o que a tornou uma figura incômoda para o establishment.
Numa narrativa que avança e recua livremente no tempo e que se desloca entre a África, a Europa e o Brasil, Agualusa traça um retrato vivo e pulsante da sociedade angolana atual, onde as tradições ancestrais convivem de modo nem sempre pacífico com uma modernidade mal assimilada. Essas contradições estão sintetizadas no prédio onde mora o escritor Falcato, a Termiteira, futurística torre de sessenta andares, o maior edifício do continente, que não terminou de ser construído e já está em ruínas, abrigando os ricos nos andares superiores e a ralé social e criminal no subsolo.
Mães de santo e curandeiros convivem nestas páginas com figurinistas de fama internacional, empresários da aviação, militares golpistas e traficantes de drogas e de armas.
Romance generoso e exuberante, cheio de personagens pitorescos, Barroco tropical reflete desde o título o que Agualusa identificou em seu país como “uma certa cultura do excesso, quer na maneira de as pessoas se divertirem, quer na maneira de demonstrarem o sentimento e a dor”.
O insólito está sempre presente, mas intimamente entrelaçado ao prosaico e ao cotidiano, pois, como declarou o autor, referindo-se a Angola, Portugal e Brasil, “nos nossos países a realidade tende a ser muito mais inverossímil do que a ficção”.

Livro de José Eduardo Agualusa

Literatura Angolana

Editora: Cia das Letras

R$ 47,00

Published in: on fevereiro 26, 2010 at 6:42 pm  Deixe um comentário  

MORTE NOS BÚZIOS

A mãe-de-santo Aninha prevê a morte de uma mulher num jogo de búzios. Na manhã seguinte, a previsão se confirma: a cliente do terreiro de candomblé é encontrada morta com o pescoço cortado e a boca cheia de folhas de manjericão. Desvendar o homicídio, com aspectos de sacrifício religioso, é tarefa do delegado Tiago Paixão, que acaba se embrenhando na rotina e nos costumes do terreiro de mãe Aninha.
Um segundo crime com as mesmas referências supostamente religiosas faz com que o assassino fique conhecido nos jornais como “o Sacrificador”. Logo surgem imitadores, desencadeando uma onda de violência na cidade. Enquanto o delegado Paixão se vê pressionado pela imprensa e por seus superiores, o terreiro de mãe Aninha se vê na mira de fanáticos religiosos e uma guerra santa à brasileira está prestes a estourar.

Livro de Reginaldo Prandi

Editora: Cia das Letras

R$ 39,50

Published in: on fevereiro 26, 2010 at 6:33 pm  Deixe um comentário  

DOMINGOS SODRÉ UM SACERDOTE AFRICANO – Escravidão, liberdade e candomblé na Bahia do século XIX

O perfil de Domingo Sodré vem se somar a outros estudos biográficos de indivíduos que experimentaram a escravidão e depois conseguiram superá-la, como Rosa Egípcia, Chica da Silva, Caetana, Liberata etc. Retirados do anonimato, esses trajetos individuais permitem nova compreensão da sociedade brasileira oitocentista, crivada por tensões entre camadas sociais e códigos culturais distintos. Reinventando valores e práticas, africanos natos como Domingos funcionam como mediadores culturais no Brasil escravista: circulam entre o candomblé e o catolicismo, a medicina africana e a ocidental, a justiça dos pretos e a dos brancos. A condição de “feiticeiro” e adivinho confere a Domingos lugar social particular. Se, por um lado, é perseguido em razão de práticas “mágicas” consideradas perigosas, por outro, a posição de líder religioso permite-lhe barganhar algum espaço no mundo dos brancos.
Tomando a trajetória de Domingos como fio condutor, e cotejando-a com outros perfis e experiências, o livro traça um mapa complexo das relações sociais do Brasil do século XIX, em que violência, perseguição policial e desqualificação social de escravos e libertos combinam-se com compadrios e protecionismos de todo o tipo. Alianças perversas que, longe de contribuírem para diminuir distâncias sociais, reforçam-nas.

Livro de João Jose Reis

Editora: Cia das Letras

R$ 62,00

Published in: on fevereiro 26, 2010 at 4:55 pm  Deixe um comentário  

COMÉRCIO E CANHONEIRAS – Brasil e Estados Unidos na Era dos Impérios (1889-97)

Na década de 1890, momento de grandes esperanças quanto às possibilidades de superação das travas do passado colonial e monárquico brasileiro, os Estados Unidos eram vistos no Brasil simultaneamente como modelo a ser copiado e como contrapeso ao domínio econômico e diplomático da Grã-Bretanha. No reverso da medalha, a América Latina e o Brasil, em um mundo marcado pela expansão imperial das potências europeias, eram compreendidos por importantes grupos políticos e empresariais norte-americanos como centrais para o fortalecimento dos Estados Unidos. A partir de ampla pesquisa, Steven C. Topik demonstra como as trajetórias dos dois países se inter-relacionaram na conjuntura crítica da fundação da república brasileira e da montagem do poder imperial norte-americano. Para tanto, o autor aborda episódios pouco analisados: o primeiro tratado bilateral da República, que estabelecia condições privilegiadas – mas potencialmente desiguais – para as trocas comerciais entre os dois países, e o envolvimento norte-americano na Revolta da Armada (1893-94). Os dois eventos servem como porta de entrada para a composição desse livro esclarecedor a respeito das forças que moldaram e que vêm moldando a ordem econômica e política mundial contemporânea.

Livro de Steven C. Topik

Editora: Cia das Letras

R$ 67,00

Published in: on fevereiro 26, 2010 at 4:40 pm  Deixe um comentário  

Kimpa Vita e outras cenas

Performances do teatro angolano.

Livro de José Mena Abrantes

Editora: Nandyala

R$ 25,00

Published in: on fevereiro 25, 2010 at 4:27 pm  Deixe um comentário  

MANDINGAS DA MULATA VELHA NA CIDADE NOVA

O livro Mandingas da mulata velha na Cidade Nova é uma pequena pérola.
Trata de um lugar e de um tempo mitológicos do Rio de Janeiro. De um tempo e de um lugar onde a cidade verdadeira foi fundada: Cidade Nova, Pedra do Sal, Pequena África, entre 1870 e 1930.
Foi a gente dessa época e desse lugar que instituiu o Rio de Janeiro moderno, que deu ao conceito de carioca sua feição definitiva. O romance fala de figuras históricas e simultaneamente lendárias, como João Cândido, Sinhô, Assumano Mina do Brasil, André Rebouças, dom Obá, José do Patrocínio; fala dos ranchos carnavalescos e da festa da Penha; de negros altivos e articulados, conhecedores das suras do Alcorão e da química das folhas; fala da Abolição e da república; fala de capoeiras e da revolta da Vacina; e fala principalmente de uma velha tia baiana, arquétipo das velhas tias baianas às quais o Rio de Janeiro deve muito da sua identidade.
É em torno dessa tia baiana, cuja história consta de um misterioso manuscrito, que giram as personagens míticas da cidade. Impossível não perceber nessa protagonista o reflexo ancestral da tia Ciata, talvez a mais famosa das baianas do Rio de Janeiro. Fazia muita falta na literatura brasileira um romance que se inspirasse nela. E é em muito boa hora que este livro chega, assinado por Nei Lopes.
Este romance é uma pérola. Porque é um belo livro. Porque é de Nei Lopes. Quando os brasileiros souberem realmente quem são, Nei Lopes será reconhecido – em toda a sua grandeza de intelectual, em toda a sua genialidade de artista – como um dos principais responsáveis pelo enegrecimento da nossa consciência.

(Adaptação da orelha escrita por Alberto Mussa.)

Livro de Nei Lopes

Editora: Língua Geral

R$ 34,00

Published in: on fevereiro 25, 2010 at 4:02 pm  Deixe um comentário  
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