Nanã

Nanã, a senhora dos primórdios é mais um livro de Cléo Martins que faz parte da Coleção Orixás, da Pallas Editora, para a qual escreveu também \”Iroco, o orixá da árvore e a árvore orixá\” (com a colaboração de Roberval Marinho), \”Obá, a amazona belicosa\” e \”Euá, a senhora das possibilidades\”. Em uma coleção sobre os orixás, é absolutamente necessária a presença de Nanã, aiabá poderosa, a anciã que não teve medo de enfrentar a suposta arrogância do irascível Ogum, o senhor do ferro, abolindo de seu culto, por isso, o uso da faca e de outros objetos feitos do referido elemento. Escrever sobre Nanã, um orixá mais conhecido do que os demais publicados — apesar de vir se tornando progressivamente menos encontrado nos meios religiosos –, é um desafio. Isso porque a tarefa exige o confronto com dois aspectos polêmicos da frágil condição humana: o nascimento e a própria morte.

Livro de Cléo Martins

Editora: Pallas

R$ 26,00

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Published in: on junho 22, 2008 at 6:43 pm  Deixe um comentário  

Lendas de Exu

Como nos explica Adilson Martins, os orixás são entidades do panteão africano intimamente ligadas aos fenômenos e manifestações da natureza. Representam as forças vivas, sejas estas animais ou plantas, e a grandiosidade dos fenômenos da natureza, como o vento, os raios, as águas, as montanhas e as rochas. A força dos orixás também está presente em cada um de nós, seres humanos, que somos partícula dos orixás, portanto, sagrados como eles. No Brasil, temos os dezesseis orixás mais conhecidos e constantemente cultuados e festejados pelas tradições afro-brasileiras (como Exu, Ogum, Oxossi, Oxun, Iemanjá e Oxalá, entre outros) muitas vezes sincretizados com os santos católicos. Isto é resultado de dois movimentos: o primeiro, dos escravos na tentativa de manter o culto a seus deuses, buscando pontos de convergência entre a trajetória dos santos e a simbologia dos orixás. Assim, temos Iansã sincretizada com Santa Bárbara, Ogum com São Jorge e assim por diante. Por outro lado, o sincretismo também foi utilizado pelos missionários catequisadores como estratégia de neutralizar os deuses africanos, impondo o cristianismo. Seguindo essa estratégia Exu, o orixá mensageiro, responsável pela comunicação entre os homens e os deuses, foi o que mais sofreu com uma perseguição sistemática, sendo associado ao Diabo dos cristãos, ganhando inclusive rabo, chifre e tridentes em suas representações. Contudo, Exu nada tem a ver com o Diabo. Ele tanto pode premiar como castigar os homens ou os orixás. As histórias contidas neste livro reforçam o sentido da hierarquia, da necessidade de sempre refletirmos sobre nossos atos, assim como sobre a necessidade de repartir, já que nada se faz no universo afro-brasileiro sem que Exu seja primeiramente reverenciado. Nenhuma súplica ou pedido chegará aos orixás se não for através dele e, mesmo os orixás, devem reverência a ele. Nada acontece sem Exu, que é movimento e poder de realização.

Este livro é a reunião de um grande número de lendas coletadas e reescritas com humor e sabedoria por Adilson Martins. O leitor se surpreenderá com a riqueza e complexidade desse deus africano com tantas qualidades conflitantes. Exu ora pode ser malicioso, ora simpático, ora moleque, ora justiceiro, tudo depende da forma como o tratamos e do respeito que a ele devotamos. Ao final, chegaremos a conclusão de que Exu pode ser muitos e múltiplo e, finalmente, é sábio e sedutor. Leitor, divirta-se, mas com prudência e respeito.

Livro de Adilson Martins

Editora Pallas

R$ 37,00

Published in: on junho 22, 2008 at 6:36 pm  Deixe um comentário  

Aparências e outras cenas do cotidiano

A avaliação das aparências, às vezes, é útil e necessária. Se vejo uma pessoa que não tem uma perna, sei que ela terá dificuldade para subir escadas e, por isso, precisa de um ambiente que lhe ofereça facilidade de movimentos. Se um médico vê que seu cliente está muito acima do peso ideal, sabe que ele tem alto risco para vários problemas de saúde e orienta-o sobre isso. Mas, muitas vezes, não é assim que as pessoas usam esse tipo de informação. As aparências são usadas para julgar: para dizer se aquela pessoa é “boa” ou “má”, com base apenas em alguma característica que alguém, algum dia, decidiu considerar marca de gente “ruim” ou “inferior”. Nesta coletânea, nosso velho conhecido Júlio Emílio Braz, autor de tantas obras excelentes, resolveu abordar esse tema. Em cada um dos contos, ele nos mostra um caso de preconceito, de discriminação. Ao lermos cada história, revemos pessoas conhecidas que foram vítimas de ações semelhantes. Temos assim a oportunidade rara de ver a situação pelos olhos do outro e de entender o que há de errado nesse tipo de comportamento. Podemos então decidir se vamos agir assim… ou não.

Livro de Julio Emílio Braz

Editora: Pallas

R$ 27,00

Published in: on junho 22, 2008 at 6:33 pm  Deixe um comentário  

Erinlé, o caçador e outros contos africanos

Neste livro os personagens têm nomes africanos; os animais e as plantas são nativos da África; os lugares ficam na África; mas seus temas são universais. Alguns contos procuram explicar a origem de certas coisas: esse é um tipo de conto presente em todas as culturas. Existem contos que falam de recompensas e castigos, ou do valor da esperteza para enfrentar dificuldades. Com eles, também aprendemos que pequenos favores a animais mágicos podem trazer grandes benefícios, e que o caçula enganado pelos irmãos pode “dar a volta por cima”, entre muitas outras lições. Os contos se caracterizam por apresentar muitos elementos e detalhes que vamos descobrindo aos poucos, conforme vamos lendo (ou ouvindo) mais e mais vezes o mesmo texto.

Autor: Adilson Martins

Editora Pallas

 

Published in: on junho 13, 2008 at 11:54 am  Deixe um comentário  

O papagaio que não gostava de mentiras:e outras fábulas africanas

Esta é mais uma obra de Adilson Martins que registra contos tradicionais africanos. Aqui o autor apresenta uma coleção de fábulas. Fábulas como as de Esopo e La Fontaine, os famosos autores da Grécia antiga e da França? Sim, exatamente como essas. Mas com uma pequena diferença: são fábulas que vêm dos povos a que pertenceram nossos tataravós africanos. As fábulas africanas servirão para nós, hoje, como serviram aos povos antigos: como forma de educar as crianças, de fazer com que os adultos reflitam mais sobre a sua conduta e até como meio de crítica social.

Livro de Adilson Martins

Editora Pallas

Preço: 27,00

Published in: on junho 10, 2008 at 1:15 pm  Deixe um comentário  

O jogo de búzios: na tradição do candomblé Angola

A presente obra tem um grande valor para os estudiosos da cultura afro-brasileira por dois motivos. Primeiro por tratar do jogo de búzios como é praticado no candomblé de nação angola. A grande notoriedade alcançada no Brasil pelas tradições de origem iorubá, concretizadas no candomblé nagô, contribuiu grandemente para a criação de uma imagem distorcida das tradições de origem banta, como é o caso do candomblé angola. No campo específico dos oráculos, a maioria dos estudiosos explorou o jogo de búzios nagô, que é o dos odus, relegando ao esquecimento as práticas divinatórias da nação angola. Assim, este livro vem preencher uma lacuna no conhecimento de nossas tradições. A segunda razão pela qual a obra é valiosa deve-se ao fato de não resultar de pesquisa acadêmica e sim de experiência pessoal na religião. Com efeito, seu autor é zelador-de-santo, com roça de candomblé de nação angola na cidade do Rio de Janeiro, e herdou seu conhecimento de três gerações de praticantes religiosos. Sua linhagem começou, no Brasil, com sua bisavó, escrava vinda de Angola para trabalhar na lavoura. Dedicada à religião dos ancestrais africanos, ela transmitiu seus conhecimentos à filha, que, por sua vez, também os passou a seus descendentes. Dessa forma, podemos encarar o jogo aqui descrito como um registro fiel da reconstrução, em terras brasileiras, de oráculos africanos, conforme foi feita pelas pessoas comuns que viveram esse processo ao longo dos últimos séculos. Os interessados no assunto estão em débito para com o tata-de-inquice Robson de Tempo, pelo desprendimento com que ele se dispôs a compartilhar seu conhecimento, não se prendendo a considerações egoístas acerca da conveniência de conservar seu segredo para preservar seu poder. Finalmente, desejamos ressaltar que esta obra não dá a ninguém a habilitação para tornar-se um adivinho. Ela apenas mostra os pontos de referência gerais, o lado técnico do jogo. No entanto, o olhador, embora necessite desse conhecimento, se forma realmente pela iniciação e pela vivência religiosa, que lhe permitirão cultivar e desenvolver a intuição, além de estabelecer os laços com as divindades, indispensáveis para a prática oracular.

Livro de Robson de Tempo

Editora: Pallas

R$ 27,00

Published in: on junho 10, 2008 at 1:10 pm  Deixe um comentário